acredito em ti, em todas as horas
no lumiar dos teus anseios espontâneos
no que te acontece em vigília, visto que
jamais te deixas a ésmo
dando-te a maior importância e já sabendo a urgência em se compactuar consigo, perenemente
ou até que se ausente
embora o infinito seja um complexo equívoco
saindo do labirinto da existência
não sentirás saudades
respiro aqui o reaparecimento dos meus sonhos
que não passam de simbolismos, pro devir
que pode ser da forma que me couber, não me desespero em saber
sendo o agora repleto de prazer, agradecer por respirar
ser da barriga que vim, e do coração das crianças
à todas as falas dotadas de esperança
e as pessoas que me passam paz, gentileza e bondade genuína
mas também as que fizeram guerra
jamais esquecerei da voz que me atende as recorrências do silêncio
quando quero estar só, mas não quero a solidão
eu escuto esse eco, canto ou assobio
de alguém que vem das fortalezas da lua e das estrelas
dos mantos que me acobertam em qualquer passagem ou desafio
de alguém que nunca me abandona,
e vive desperto e atento às minhas ações
como se fossemos um só, sólidos e sóbrios
almejando a fusão com a própria natureza divina
e a suspensão do que é pesar aqui da terra
fomentamos juntos e estendemos
nossos pedidos para aquém do lar
não-divisível
parcializando a individualidade e
tornando a harmonia numerosa
a igualdade uma manobra para submergir
das diretrizes vigentes
que cada um siga por si (saiba se ouvir) e por nós
e deixe cair por terra todas as doutrinas
como se tudo recomeçasse do agora
não haverá outra consciência que te governe além da sua própria
não importa quem preparou o teu caminho, e sim o teu caminho
e tudo que lhe ocorrerá, e o que fizerdes daquilo que sentes em relação ao mesmo
porque serás presenteado diariamente, com infinidades
mas ninguém mais ensinará teu corpo a usar os olhos da alma (pureza)
e pode ser que não lhe chame atenção o brilho do sol, e acabes por sentir frio
mas se chegastes até aqui: se me lês
saiba que a minha luta é tua
e o meu joelho se turva
diante de um qualquer
pois somos os mesmos, aos ouvidos do silêncio
não há divergência
e eu só quero lhe falar
com todo meu amor