saco de humanidades
o que mais projeto como fantasia, que a vida me cobra no dia-a-dia
como experiência bruta,
como fragrância terrena dos meus sonhos de menino?
quantas existências inventei
pra conseguir caber na praticidade
da cidade, da aldeia
da miséria&da riqueza
da justiça&da legítima inteireza,
da integridade;
o que mais projeto como fantasia, que a vida me cobra no dia-a-dia
como experiência bruta,
como fragrância terrena dos meus sonhos de menino?
quantas existências inventei
pra conseguir caber na praticidade
da cidade, da aldeia
da miséria&da riqueza
da justiça&da legítima inteireza,
da integridade;
minhas palavras se espalham por tantos lugares
a impressão que tenho é que têm impressões de mim
milhares de expressões e afins
até você
que era eu
que não sei bem
se criei ou recrutei
vai se despindo e verificando ser
de carne e osso
também
sou pequeno, e quantas vezes repito
mas rezo todas as minhas decisões
e quanto ao peso, não tenho dúvidas, de ser uma resposta
que eu necessite compreender
para a rasante das minhas
ruminâncias
me concederem, nos menores detalhes,
uma razão para ser feliz
mesmo que para ser feliz, dizem,
não é "preciso" haver razões;
(ou da felicidade,
seja preciso extrair apenas
a centralidade)
não compartilho de muitas respostas já dadas
mudam-se as perguntas, ou a forma de se questionar?
do absolutismo ao anarquismo,
dos resquícios ainda pudorosos do velho em mim
o quanto é novo e o quanto ainda é codecorado?
não busco ser a resposta de nada, visto que
enquanto busquei, tantos anseios me pregaram ao tempo
como em uma bifurcação
¡não havia senso de direção!
mudam-se as perguntas, ou a forma de se questionar?
do absolutismo ao anarquismo,
dos resquícios ainda pudorosos do velho em mim
o quanto é novo e o quanto ainda é codecorado?
não busco ser a resposta de nada, visto que
enquanto busquei, tantos anseios me pregaram ao tempo
como em uma bifurcação
¡não havia senso de direção!
não quero ser uma resposta
mas me responda
me responda
se ainda te penso, qual é a solução?
se te recebo, qual a premonição?
se enlouqueço, qual a correção?
como faço
para não cair
no mesmo padrão
dê-me diretamente aquilo que pertence a mim
o sentimento de amor intransponível
a lucidez e a sabedoria dilacerante
que provêm da simplicidade
dê-me a saúde irrevogável
o não pertencimento como estrategismo
e a disciplina auspiciosa;
eu não quero a matéria densa
pois sem ela flutuo,
caminho por outro mundo.
o que eles chamam de espírito, eu chamaria de trabalho, busca, intencionalidade -
me alimento dessas forças que pra muitos ainda "não são reais"
e para mim, provocam a fuga ao mesmo tempo em que me dão a sensação de prazer, descanso, austeridade.
saco de humanidades,
retirai de mim todos os dejetos
ásperos, mórbidos, gastos
cruéis, arrogantes e o viés;
eu fomento o equilíbrio
não busco o sentido apenas, busco sentir.
sintai-me, pois,
se percorrer a minha essência
te conduziria a tua mesma
pois recorro a esse caminho
de unificação,
pra me deparar sempre com a mesma faceta
de surpresa
indignação:
sou eu no espelho, e ninguém mais
e esse ninguém digo que sou eu também,
que destituí tantas vezes
o outro de mim,
como uma coisa boa de se fazer, só pra enxergar com clareza
com beleza, com destreza
a minha própria elucidação.
