e ontem nublastes a face da significação
com tua manobra de silêncio
escorriam de mim vãos
que percorriam montes adentro
com tua manobra de silêncio
escorriam de mim vãos
que percorriam montes adentro
da água que eu bebia só me restituia
o cheiro do cravo
meu gosto tinha múltiplos cheiros
e minha prece múltiplas faces
o cheiro do cravo
meu gosto tinha múltiplos cheiros
e minha prece múltiplas faces
meus assombros eu deixei perto da horta
pra que o alecrim os contivesse
e saí erguendo laços entre bolsas,
cajus, canjas e o campestre
pra que o alecrim os contivesse
e saí erguendo laços entre bolsas,
cajus, canjas e o campestre
no momento que eu pude experimentar
não ser nada
soube que eras tu um veículo de encenação
pra que meu corpo se dispusesse
a dissipar-se
não ser nada
soube que eras tu um veículo de encenação
pra que meu corpo se dispusesse
a dissipar-se
virei faísca e assim me alimentei
do fogo que queima a vida e os sonhos
não pude mais despertar
não sei o que sou agora
do fogo que queima a vida e os sonhos
não pude mais despertar
não sei o que sou agora
qual natureza me habita
se ela tem nome
se tenho rosto
se sei performar
se ela tem nome
se tenho rosto
se sei performar
pois vejo que todos parecem saber de algo que eu não sei
e vice versa
sou a dualidade de montenegro
sou a culminância da festa em que eu não soube como me expressar
e vice versa
sou a dualidade de montenegro
sou a culminância da festa em que eu não soube como me expressar
mesmo assim reconheço rostos
tenho sede do que não posso
faço vigília dos meus segredos
tenho febre por derramar destroços
tenho sede do que não posso
faço vigília dos meus segredos
tenho febre por derramar destroços
larguei mão de ruínas e emanei
o melhor de mim pra todos
hoje quero de volta o melhor de mim
o melhor de mim pra todos
hoje quero de volta o melhor de mim
busco não ser outro e mesmo assim
não sei quem sou
se alguém me roubou de mim
ou se me desinventei
não sei quem sou
se alguém me roubou de mim
ou se me desinventei