diante da voz do silêncio, prenha d'água, com açoite, "às enxadadas", abre-se a tarde.
na terra já encharcada meus amigos derramam-se.
cada um dorme em uma das casas.
faça lua, ou faça sol
reciclo as palavras usadas pelas moradias, e com ousadia declamo-as
às serras de santana e santa maria.
o bem que belch me faz, eu busco no bem-comum.
eu busco.
à quem? encarrega-se da minha vontade de cantar.
por quem? a saudade jaz
lembro-me: esqueça-se do passado.
chove na tribo flor.
na labareda do fino convívio, um fino e um grosso modo de comunicar-se
- beijo na sombra dos olhos, língua na ferida intocada, sentimentalidades em ascensão
ainda compostam o sumo da peneira "emoção"
sobre mim, sobre mim, sobre mim
escondida na porta do banheiro de cobra e estrelas
de quantos lugares conseguimos fugir para chegar até aqui?
quantas medicinas fora preciso usar?
quanto mais nos desnudaremos por refutar o que já sabemos, ao invés de simplesmente aceitar?
quem conhece de verdade esse lugar; o que é de quem, e o que nunca teve dono?