24 de setembro de 2020

 meu sangue vai indo pra terra,

interação que alimenta o espírito.

meu corpo, cansado, como que de uma longa viagem,

encontra no escuro um refúgio

um colo de útero,

um elixir;


os dias me falam através das estrelas -

sirvo ao Outro, sentindo a raiz, debaixo das minhas pernas, 

estircar-se - 

figurativamente e sempre


honrando as divindades que aqui habitam.


o chão como um altar, 

o céu como um reflexo quintessenciado

que projeta a extensão igualitária,

entre cima e abaixo

entre as extremidades de tudo que existe.


ser plano, pleno, prumo, pluma, pena branca

pelos colorados coloridos de máculas

que arremessam as sombras frescas das árvores,

diante da minha vasta contemplação poética do Tempo-Espaço que habito,

sem nome; 

sem fundura


abandonando passivamente de novo a pressa,

e estendendo a toalha na mesa dos sonhos.

panos, panelas, família, amigos, amor, 

canela e outros aromas que esbarram fogueiras; 

declarações, livros, canções corriqueiras -


extravasamento de atma, sattva;

sacrificar o sentido de escassez


libertar o cumprimento dessa liquidez

ao escorrer

rocha abaixo,

finito.