21 de julho de 2020

do interesse de saber de onde vem aquelas palavras que estou por escrever, entrevém também uma breve epifania de convidar meu próprio corpo pra dançar até onde as palavras se perdem.
caí, meio que por medo dos desequilíbrios dos meus atos. 
vim de lugares vexamados por onde não previa passar quando pensei em escrever algo sobre mim. 
um texto que me contemplasse no lugar de outra pessoa; e temia que fosse assim a vida toda (como é): 
cair e dançar, dançar e cair.

não quero mesmo atirar-me de letra, pois conheço bem o peso dessa caneta. 
tantos delírios cessados pelo fogo.
o inverno procede, a neblina desce até o nosso porto. 
a cerração avança pela janela, e quem mais entrará junto com ela? 
anda, que estou queimando tudo.
penso muito em pessoas, mas também penso muito em mim.
tem muita coisa aqui pedindo pra escorrer.