21 de julho de 2020

começo a escrever num ritmo que crio agora. nele não há interrupções e tudo que recebo é fórmula pras palavras se transformarem em pedaços reais de esquecimentos. coisas do passado que vão  escorregando pelo tempo e descem pelas veias da terra para serem curadas no centro. da minha memória se apagam rostos e fragmentos de fatos, pensamentos e sentimentos que me detiveram à perpectuar os planos como irrealizações. cerradas da memória, as velhas lembranças e mágoas tornam-se adubo pra fertilizarem a terra de hoje. delas, nascerão frutos novos e maduros, gostosos de se comer ao vento.

e, podendo brisar e sentir no avesso da passagem do pensamento uma cócega, um carinho; uma espessura branda de pessoas ternas à me encapuzar os anseios - as sofreguidões e espasmos desatentos se dispersam vagarosamente da minha mente. atento, o presente se faz pura luz.
e já no agora tateio, tateio, tateio e encontro um tempo que corre conforme minhas expressões se formulam. não há pressa, não há medo, não há tragédia. 
'que criaram os homens que não sabiam como poderiam implodir no humano uma outra subsequência? nós nos atentamos as regras e acabamos por enfileirar os acontecimentos e não os vivemos como que enraizados em um tempo só. fazemos que sim com a cabeça e concordamos em sermos sinônimos, apenas, do nosso próprio intervir.

há uma sala para cada corpo, um reflexo para cada vento de pensamento que assopra e se alinha aos processos agrupados no corredor. a linguagem última se aproxima da primeira, e a primeira da penúltima.