12 de agosto de 2019



faríamos amor como pessoas normais
ou faríamos pessoas quando fizéssemos amor
como normalmente fazemos
qualquer outra coisa extraordinária
de maneira ordinária
sem pensar no que é diferente ou no que é normal
sem julgar conveniente ou banal
sem ter medo do habitual
pois se não nos infiltrarmos... amor
se não nos infiltrarmos
não recrutaremos!
e queremos recrutar?!
no mínimo, perderíamos o sabor de nos opor
no máximo, não nos fortaleceríamos
ou sei lá
perderíamos o direito à igualdade
faleceríamos em meio aos privilegiados
teríamos a cara daquilo que repugnamos
e o nosso discurso não conteria a verdade
sobre
merecer.
se aceitamos as dádivas gratuitamente
se não soubermos dar, tal qual recebemos
se somos sujeitos ocultos
boiando em
regalias
(mas também deixe-se receber e dê de graça, fortuitamente)
não teríamos a graça
do amor
somente a ganância
do ensejo

discurso
furado,
antevejam

eu nos exporia