12 de agosto de 2019

dentro dos mananciais de cúrcuma
tua pele azul azeda
se declama como se fosse resumir
uma noite astuta
dentro da severidade de ser novamente
vermelho

outrora eu quis-te ameno, recruto perfeito
de observar estrelas com o âmbito petencostal
da peste fajuta: amor (discar-venenos)
nunca acreditei, mas me deixei lavar

*#"a voz daquelas menininhas"#* eu te disse
e tu retribuiu as setas desfiguradas me mostrando a cara desassosegada
(ou afobada) (ou matutina)
que tinha a sua solidão
visceral
fragrância dos destinos flácidos, embora impermanentes

a sua mão furtou a minha do silêncio adulto, sombrio
e novamente eu me sentia digno de ter o corpo dos sonhos, desatinando em percorrer caminhos
onde a sede do teu carinho
desabou lágrimas e criou
celebridades

*/"quem fora tu em outras épocas?
e eu?"/*

mas aí tu veio desmentir
por pavor (favor)
ou por coragem (deserto)
que era real, o amor virtual
e eu bem caí
do pé de juçara (parecia açaí)
e morri mas ganhei asas
imperecíveis

só que ainda não decidi
o que fazer com elas
(ainda penso em voar até você)