12 de agosto de 2019


ai, eu não sei, se tu saiu das redomas de um rio, dos augúrios da selva ou da extensão divina do solstício que nos antecede. pré-natal, precoce, perfeita, perita na arte de ser tubarão-leoa e nos usurpar convenientemente do silêncio por vezes quase abusivo. intrépido, assisto-a passear com o coelho insistindo em carregar o carrinho nos músculos do peito e de cabeça pra baixo, nem mesmo empurras a sina de fazer-te introduzir em nós um pouco mais de carinho. tu dás com teu escândalo e espontaneidade as primaveras da tua riqueza inteiriça, ouriça visto que agora jaz tomando aguinha de coco contente de estar tramando algo no mundo dos sonhos. com a consciência erguida suspeito que te falar em avessos faz mais bem para nossa beatitude. desfazer comportamentos e erguer castelos onde possa passear a memória e o presente como se sempre estivessem em acordo de paz. nas cavalgadas do vento um "inho". em tua silabada ,a galgar de pernas cruzadas, o misto das palavras com o destino ardente; serpente, ainda não sabes soletrar. mas padaria e a rima de á's vejo que é mais fácil. fizestes de mim algo cruelmente solitário e sentimental. sinto desprazer em locomover-me. inerte, vespertino, letárgico na cadeira (de rodinhas) tuas, brinco de correr. mas só brinco. e deito, em tua companhia. animaizinhos de ninar. um bolo pra abafar essa loucura de te pensar mil vezes antes de dormir. reflexões de onde eu vim, sei lá se não havia tu antes de nascer. creio que era algo de céu e algodão, pois não entendo mais da vida com a seriedade de achar que as vezes tudo é matéria. ao menos façamos desses materiais brinquedos, insisto, visto que te dou agora coisinhas plásticas sem nó na consciência. tu me eximes a culpa também? desculpa te incubir de tarefas. será retórica? um abraço contente no teu devir, minha sacedortiza ancestral. um copo de água pra fazer de mim você, e arder no quente dos sonhos com árvores, mas sem sombras. pavio curto agora. pavio longo. te cubro de beijos, até nas unhas dos pézinhos. tem gente com nojo, esses mesmos que derrubam iogurte no assento do ônibus, tenho certeza. não sei se quem fez esses te fez também. fez sim. to brincando de ser amargurado. não me leve tão a sério, princesa. insisto que se quiser também podes ser príncipe. e se quiser seguir o caminho do tio, prefirarás não ser ninguém e nem fazer o menor sentido pra todos. sinta a água bater-te nas perninhas bambas e coradas, e só.