7 de fevereiro de 2018


não sei o que escrever
sim, eu sei
posso falar sobre tudo pra uma folha
uma folha é uma folha
como minha mente é corriqueira
sem necessariamente ter que querer
fugir das pautas e sim desvendar o absoluto
de tudo quanto é ato mudo nulo ou
mútuo
que seja, uma parte de nós ainda está caminhando junto
leio isso nos sistemas profundos do insígnio ser
trabalhando para proteger os valores
desdobrando-se para aprender com as quedas
modelando os triunfos para modéstias genuínas
eu como um disparo
atrelo-me às tradições
desapegado de tudo
equilibrando-me em nada
numa soma de tombos, convicto saio
desdenhando-me
cansado muito cansado
temo dizer à "deus" muitas e poucas palavras
já fizestes muito por mim, e eu me sinto sempre parado
sempre à beira de produzir algo diferente
mas acabo não produzindo nada
e sempre rimando tudo e nada, e me objetivando como algo indecente
às virgulas dos olhares atentos
eu lançaria um livro de esquivos
de tanto colecioná-los!
eu lançaria um livro à beira do precipício... ou apenas continuaria largando todo tipo de serviço

olhe bem com quem estás lidando!
diria o meu eu lírico
profundamente cínico
tem as margens sociais invedáveis
que beiram o cais
e se esgueiram nas dimensões prováveis onde todo mundo se convive
vivo das aparências
seguro nas conveniências
ricos de necessidades triviais
d'onde eu disparo
aí começo a disparar mesmo
não sei quem/que me atirou pela primeira vez! se foi eu mesmo ou uma discordância profunda
entre pobre rico médio e burguês
um assombro da minha própria voz me evidenciando às cegas
à eu mesmo
me debruçando sobre o muro da impropriedade hipócrita
a assombrosa 'taipa dos costumes'
se cobrindo de argamassa
e eu "quem nunca?"
eu que não queria mentir pra eu mesmo, fui pondo à posto julgamentos sublimes
mas também aprendi que foi feio da minha parte
romper com a sociedade de vez
por que logo agora tatear pela história com avidez
por um passo que já dei
pra saber onde é preciso recomeçar? tantas cidades por aí
tanto trem, tanta maçaroca na beira da rua
meu amor passeando de ônibus
a chuva nublando a janela, e deslumbrando vertigens dela
andando tão sempre vertiginada como eu! lambendo poesia da calçada sem se dar conta
fugindo de si desenvergonhadamente
se lançando
se lançando
se lançando

estou cansado de correr, vou viver à jejuar
estou cansado de dizer, vou recorrer ao silêncio
vontade de meditar
vontade de escrever
vontade de escrever para a cá