21 de julho de 2020


minhas palavras não são mais
impulsivas
meu silêncio é credo
do fogo
que atina a verdade
ao intento da língua;
atormentar-me não seria
a convicção mais utilitária
e se fosses tu cúmplice
saberias dizer
que a paz que me invade hoje é maior que esse ou qualquer outro sentimento
e que o meu propósito tem crescido descomunalmente,
e eu preciso alinhar-me só
ao que seja provido
ou munido
da organicidade necessária.

troco o ímpeto da angústia
pelo sabor intrínseco do amarelo do sol
quando a manhã avança acima da horta e por toda aldeia
eu troco de pele inteira
e não me cobro mais o que não posso dar-me ou dar-te ou dar-lhes 

se pra isso eu preciso renascer todos os dias, queria ver se tu também renasceria
e se esquivaria do cinza
e se brotoaria nas cinzas
mas acho que eu tô aqui num paralelo
onde só me alcançam as sutilezas
dessas que muitos não enxergam
e eu estou bem com isso
não preciso que ninguém mais veja,
no fundo saúdo o sortilégio
e as maritacas gritam