21 de julho de 2020

é o colar do vazio, eu sei
os despojos do vento que carrega
o plâncton,
há milênios de espera
sortilégios de esferas quadradas.

tua forma, decaptada
como a minha
carrega tranças, traças, tramas, transas, traumas, transições.

não ousas mais as mesmas danças,
contenções;

mas foge com as harmonias inventadas
guarnecidas pela mochila.
tens o segredo na semente, o sigilo da lealdade
a tolerância deturpada do destino,
e o deserto ofuscado da esperança.

tens o dom, o gesto, a palavra, o invento - 
a sede de exuberância
e a fome da opacidade,
a ânsia na transgressão de um menino.

caminhas com o corpo ereto, o rosto lavado
a pele escorregadia de argila, 
o tronco meio achatado.

tem fome de palavra
e é consumida pela ausência;
tem desejo de sobra
e a mais poderosa e profunda paciência.