17 de outubro de 2019

todo sentimento tem um tempo ínfimo de validade
tudo que os sentidos regem são adormecidos pela lei do tempo
há substituição constante do velho pelo novo e do novo pelo mais novo
mas o valor de cada coisa é igual, diante de quem coordena
pois a igualdade é perene mas a hierarquia é fatal
não há natal na terra para todos, mas para todos há "o que é de quem"
cada um tem o seu mandato de cumprimento, é subordinado à alguma fórmula destinativa
estamos acostumados a proteger a nossa, e quem não zela por si... (!)
há quem zele por todos, e muitos duvidam
a lei do retorno replica diante da esfera, quisera não voltar ao que já foi
porque tudo está previsto, mas ainda assim revogamos o imprevisível
irregulados ou não arrefecidos
não temo dizer o tamanho do meu cansaço, e tento não mais permitir-me
ser seduzido por ilusões tão vagas
por certidões distantes
por paisagens findas
mas por vezes sou largado à esmo, e finjo que n'eu mesmo encontro um lugar seguro
não foi sugerido dar ouvidos ao desconhecido, por isso vivemos em perigo de não soltar...
reter tudo onde não é mais cabível
de não suportar...