você me propõe
um jeito novo de despojar escrituras
recomeçar de um jeito inédito
inusitado
eu nem sei se ajudará
mas sua mão já me apanhou
e outras não
outras mãos muito molhadas
de riachos ou suor
sulcos ou ondas salgadas,
me perspassaram
ineficazes.
que tanto sei que já nem sei
onde morarei?
abrirei porta alguma
pra sol um só entrar.
sol um só volto a falar,
a linguagem do amor é visionária
mesmo em vida ordinária,
sonhos feitos de metáfases
torsos tortos de lavragens
despertando-se -
em abraços de fadas,
falas de bruxas
chapéus agudos, solstícios
e mais nada.
uma estrela brota
no olho de quem contou
história para peixes e invertebrados,
crianças e anciões
no contorno de corações
e vagens encobertas;
entre pretas pedras
e arbustos turvos,
assuns pretos e anus.
eu assisto a eles
sobrevoar-nos nus.