25 de novembro de 2015

viajar da esperança à esperança. é como cair da terra no céu de cabeça pra cima.
espero sentado na varanda por vários dias, falando com meu pai que não subentende nada do que eu digo-nada. só me repreende por ter botado de lado, no estofado improvisado da varanda, a irreverência. 
queria ele que eu aprimorasse meus sentidos primários morando na roça.
que eu fosse ímpar ao invés de parear por aí, como todo mundo faz
fazendo par só se for com ele, né pai.
o senhor e a natureza. 
o senhor desejar por conta de seus meados lado de fora da roça, onde o mundo é mundo, e sem menos ou meados, sou mais isso...
no pai: dieta de generalidades. 
essa maneira utópica mas real de passar todas as noites de agosto à dezembro na varanda respirando estrelas e piscando vagalumes mata, só que de vida.
e vagalumear interestrelas fantasiosas, ainda hoje, é propício. 
no quarto desenluarado de ubá a mata manta mãe é adorável. 
da varanda invade o espaço vazio e eu me arrepio e pisco e luzio e sonorizo as canções satíricas que andei preparand, como gostaria meu pai de ver
se alegrando em me alegrar inversamente. me alegrando em alegrá-lo. 
mostrando que há prazer sim em pestanejar, e que não há par como convinha (mas lhe dedico)
e ainda falta um pouco de expressão no cotidiano, mas hei de melhorar. 
e chegar lá, ao ápice. ao fim da viagem, e novamente, mergulhar.